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WARIBASHI NÚMERO 42, ANO 5, NOVEMBRO 30, 2012

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WARIBASHI NÚMERO 42, ANO 5, NOVEMBRO 30, 2012

Postby Steve Hubbell » Wed Feb 25, 2015 15:05 +0000

ENTREVISTA A STAN SAKAI – AUTOR DE “USAGI YOJINBO” E “47 RONIN”
by UNKNOWN (WARIBASHI NÚMERO 42, ANO 5, NOVEMBRO 30, 2012)


Stan Sakai é um dos autores de banda desenhada mais conhecidos da atualidade. A sua obra “Usagi Yojimbo” é reconhecida internacionalmente, levandonos a um Japão feudal presente nas obras de samurais de Kurosawa. Descendente de japoneses que cresceu
e vive nos EUA, o seu trabalho incorpora elementos marcadamente nipónicos numa obra ocidental. A Waribashi teve a honra de falar com o autor do coelho mais honrado dos comics (banda desenhada americana).

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WARIBASHI: Você é autor de comics há praticamente 30 anos... como é que se tornou num artista desta área?

STAN SAKAI: Eu sempre gostei de desenhar e de ler comics, mas, quando era jovem, nunca realmente tinha pensado em criar as minhas próprias histórias. Depois conheci outras pessoas que também colecionavam comics. Mas eles não só liam mas também escreviam e desenhavam. Foi aí que decidi ser um autor de comic. Entretanto tirei uma licenciatura em Artes e fazia ilustrações para agências de publicidade, álbuns de música, revistas e jornais. Ouvi então dizer que alguém queria publicar um comic e que estava à procura de um argumentista. Enviei lhe um conto curto para “Albedo #1”, e depois ele pediu-me uma outra história para a próxima seguinte. Mandei-lhe a minha primeira história de “Usagi Yojimbo”. Isso foi em 1984.

WARIBASHI: O Stan Sakai é uma das poucas pessoas que parece fazer parte de todos os passos na criação de uma banda desenhada – desde a escrita do argumento e o rascunho a lápis até passar a tinta, inclusivamente o balonagem. Há alguma coisa que não faz?

STAN SAKAI: Na verdade até fiz algumas histórias a cor, pintados a aguarela. A mais longa é “Usagi Yojimbo: Yokai”, uma história de 60 páginas onde Usagi encontra imensos espíritos e monstros de lendas japonesas.

Eu gosto imenso de todo o processo criativo. Contudo, atualmente estou a trabalhar num projeto não relacionado com Usagi chamado “47 Ronin”, onde trabalho em conjunto com um escritor (Mike Richardson), um letrista (Tom Orzechowski) e um colorista (Lovern Kindzierski). A história é baseada num incidente que ocorreu no início do século XVIII, onde um grupo de leais ronin (samurais mercenários) procura a vingança pela morte do seu senhor.

WARIBASHI: Como define o seu estilo artístico? Prefere obras em preto e branco ou coloridos?

STAN SAKAI: Usagi é baseado na cultura e história japonesa, mas é contada num estilo literário muito ocidental. Na realidade prefiro a minha arte em preto e branco, e acho que muitos dos leitores também gostam disso. Houve tempos em que Usagi era uma série a cores, mas recebemos imensas queixas a dizer que a cor estava a tapar demasiado do desenho.

WARIBASHI: Como foi a génese do seu mais conhecido título, “Usagi Yojimbo”? Porquê um coelho e qual a razão da narrativa se passar no Japão feudal?

STAN SAKAI: Como mencionei, eu cresci a ler banda desenhada. Eu queria criar uma série de comics inspirado na vida real de um samurai chamado Miyamoto Musashi, que viveu até finais do século XVII. Um dia, estava eu a desenhar no meu caderno e fiz um desenho de um coelho com as orelhas atadas num “chonmage”, um penteado tradicional de samurai. Adorei o design e portanto criei uma série inteira à volta desta personagem. Em vez de “Miyamoto Musashi”, a minha personagem chama-se “Miyamoto Usagi” (usagi quer dizer coelho em japonês).

WARIBASHI: Portanto, as suas obras são maioritariamente baseadas na realidade ou é pura fantasia? Quando escreve, necessita de pesquisar muito profundamente?

STAN SAKAI: “Usagi Yojimbo” é uma série imaginária mas baseada numa história e cultura real. Muitas vezes tenho que pesquisar imenso, especialmente quando crio uma história sobre algum aspeto verdadeiro do Japão, como o fabrico de espadas, os festivais, a olaria, a colheita de algas marinhas, os tambores taiko ou como se faz molho de soja.

WARIBASHI: A série “Usagi Yojimbo” existe desde os anos 80, publicada por muitas diferentes editoras. Como explica a sua longevidade e o sucesso deste título?

STAN SAKAI: Eu escrevo e desenho Usagi para um público muito específico – um público de uma só pessoa. Eu. Crio o tipo de histórias que pessoalmente gostaria de ler. Fico muito feliz em ter tanta gente a gostar do mesmo género de histórias.

WARIBASHI: Se pudesse escolher uma personagem criada por qualquer pessoa, teria gostado de ser o autor de qual deles?

STAN SAKAI: O Rato Mickey. O velho Mickey era um aventureiro e um malandro. Ele era divertido e tinha fantásticas histórias. E, claro, não me importava nada do dinheiro ganho nestes anos todos.

WARIBASHI: É frequente trabalhar em conjunto e para outros artistas. Quais são os lados positivos e negativos de participar num projeto de uma outra pessoa?

STAN SAKAI: O grande prémio é puder descansar um pouco de “Usagi Yojimbo”. Desta forma não arrisco sentir-me aborrecido a trabalhar sempre no mesmo projeto. O grande ponto negativo é que fico com saudades de trabalhar em Usagi, e portanto mal posso esperar para começar outra nova história sobre ele.

WARIBASHI: Está neste momento a trabalhar na adaptação do clássico japonês “47 Ronin”, para a Dark Horse Comics. O que nos pode dizer sobre o projecto? Como é colaborar com o escritor Kazuo Koike, o consultor editorial?

STAN SAKAI: “Os 47 Ronin” é uma das histórias japonesas mais conhecidas do Japão. Há um ditado popular que diz “Conhecer os 47 Ronin é conhecer o Japão”. A primeira vez que ouvi falar dela foi quando estava na terceira classe, logo, quando Mike Richardson pediu-me para ilustrar a sua história aceitei imediatamente. Não trabalhei diretamente com Kazuo Koike. Ele é amigo de Mike e todas as comunicações ficam entre eles.

WARIBASHI: Após tantos anos na indústria de comics e ter recebido inúmeros prémios (incluindo quatro Will Eisner Awards), quem são os seus ídolos, os exemplos a seguir? Continuam a ser as mesmas pessoas de quando começou a sua carreira?

STAN SAKAI: Tenho muitos. As minhas influências iniciais incluíam Steve Ditko e Jack Kirby, artistas de superheróis americanos. Atualmente são autores como Milo Manara, Hermann e Moebius. O meu maior modelo é Sergio Aragones, que também é um grande amigo meu. Foi ele quem encorajou-me a pesquisar para as minhas histórias. Uma boa pesquisa realça a narrativa. Uma pesquisa má feita pode arruinar até a melhor das histórias.

WARIBASHI: De facto, a importância da pesquisa. Muito obrigado. Ficaremos à espera de ler mais sobre Miyamoto Usagi.
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Steve Hubbell
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